03fev

AMAMENTAÇÃO – UM ATO DE AMOR

Nascemos totalmente dependentes. Somos os únicos mamíferos que não sobrevivem sem o cuidado do outro. Quando o bebê nasce, ele é pura sensação, totalmente sinestésico, as sensações básicas, como fome, frio, calor, dor, são avassaladoras, se não tem alguém para solucionar as mesmas, ele se sente desamparado.
Como a mente é construída por registros de imagens e sensações, se o número de eventos frustrantes é maior que a satisfação, começa aí a construção de uma história de terror. Pois a criança não possuí recursos para elaborar e compreender o que sente. Precisa de um adulto que nomeie e simbolize suas vivências trazendo para ela a segurança necessária para que nasça a fé perceptiva.
Fé perceptiva é o antídoto da depressão. Não temos garantia de quantos infortúnios teremos durante a nossa trajetória, e para que sobrevivam a eles sem adoecer ou enlouquecer, precisamos ter internalizado o “Seio Bom”. O Seio mau vai sempre existir, mas não será destruidor.
O cuidador, a Mãe, o primeiro objeto relacional, ou quem faz a função materna, necessita de no ato da amamentação, estar com a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo, para conseguir ter uma presença de qualidade. Olhos nos olhos! Afetividade em movimento.
O bebê como está com a função sinestésica no ápice, capta todo o sentimento de prazer e dor da Mãe. Adotando para Si registros que não são seus, mas pela fusão que está acontecendo, introjeta como seus. A Mãe ou a cuidadora precisa ter a maturidade emocional para blindar essas emoções para proteger a criança. Mas ela só conseguirá fazer isso se estiver conectada com a fonte de uma forma amorosa, pois os nossos filhos olharão para nós, da mesma forma como olhamos para os nossos Pais.